terça-feira, 15 de junho de 2010

“Ganhar e perder acontece entre as orelhas” - Artigo transcrito da Revista Mente e Cerebro

Assim como atletas de alta performance, pessoas comuns podem usar a mente a seu favor para obter sucesso em atividades que exigem grande empenho

O mundo está repleto de gente talentosa, cheia de habilidades, capacitada para enfrentar os mais diversos desafios. Mas o sucesso não é garantido nem para essas pessoas, uma situação que intriga psicólogos. No esporte, esse fato é visto com frequência, e com o início da Copa do Mundo da África do Sul, em junho, e da Olimpíada de Londres, em 2012, mais uma vez os olhares se voltam para os atletas.

Não só os resultados, mas também a rotina de treinamentos e a forma como eles lidam com a ansiedade em cada competição chamam a atenção – e podem ensinar lições valiosas. Tomando por base suas performances, pode-se pensar em aspectos da vida de pessoas comuns, já que nem sempre esportistas bem preparados fisicamente conseguema vitória. Afinal, apenas talento e treino não são suficientes para conquistar o lugar de campeão: o equilíbrio psicológico é fundamental. Que o diga a seleção brasileira, na final do campeonato mundial, em 1998, na França.

Uma postura mental adequada e o firme desejo consciente de vencer podem tornar o amador um vencedor – e isso vale não apenas para esportistas, mas para qualquer um que queira realizar com êxito uma atividade que exija esforço e dedicação. O tenista alemão Boris Becker, que já foi o primeiro do mundo nesse esporte, descreveu essa postura de forma muito acertada e curiosa: “Perder e ganhar acontece entre as orelhas”. Em seu melhor período, Becker ganhava em jogos importantes o decisivo tiebreaker em nove de cada dez competições.

Certa vez, logo depois do jogo um repórter de televisão perguntou ao atleta como sempre conseguia tal resultado. “Ah, eu já joguei essa partida ontem à noite”, respondeu. O repórter não deu grande importância à frase, mas esse parecia ser justamente o segredo do sucesso. Excelentes desempenhos – seja no esporte, na pro fissão ou na vida pessoal – muitas vezes são alcançados “antecipadamente”. Oliver Kahn, goleiro que chegou perto de conquistar o título de melhor jogador do mundo pela Federação Internacional de Futebol (Fifa),“defendia” bolas críticas na noite anterior ao jogo decisivo. Da mesma forma, o piloto Michael Schumacher adotava a prática de se visualizar comemorando o primeiro lugar antes de a corrida começar.

Quando perguntaram certa vez ao boxeador ucraniano Wladimir Klitschkocomo se preparava mentalmente para os embates, respondeu: “Quando tenho grandes lutas à frente, sonho com elas”. O que ele via nesses sonhos? “Eu vejo o fim que desejo, a vitória; exatamente como no cinema, os sonhos se tornam realidade.” O truque, portanto, é partir triunfante rumo ao objetivo antes do início da partida. Seguindo esse raciocínio, a postura mais indesejável que se pode ter ao chegar à linha de largada é “vejamos até onde se pode chegar”. Tudo isso parece muito esotérico? Talvez você já conheça a seguinte situação: a pessoa ajusta o relógio à noite para levantar às 6 horas – e na manhã seguinte acorda às 5h59, antes mesmo de o despertador tocar. Como pode ser? Simples: o subconsciente trabalha diligentemente para cumprir objetivos. O relógio biológico é, nesse caso, apenas um pequeno exemplo das possibilidades que podem se abrir para uma pessoa. É possível, sim, usar esse potencial em causa própria.

Primeiramente, é preciso interromper o “diálogo interno” – uma espécie de bate-papo repetitivo (e em geral com teor acusatório) que acontece em nossa cabeça quando, por exemplo, nos cobramos por eventuais falhas. Essa discussão interior é algo muito diferente de reconhecer os próprios erros e traçar estratégias para não voltar a cometê-los. Em geral acontece de forma consciente, mas é alimentada pelo subconsciente, e por isso nem sempre é simples ter controle sobre ela. Nesse caso, práticas específicas de relaxamento podem ser bastante úteis e afastar pensamentos prejudiciais. Técnicas orientais – como a meditação zen, para desenvolver a habilidade de não pensar em nada – costumam ser eficazes. Ocorre que qualquer um que faça a tentativa logo percebe queatingir esse estado de “esvaziamento mental” não é nada fácil. Ou você consegue não pensar em um elefante azul logo após ler estas palavras?

Por isso, o cardiologista americano Herbert Benson, da Escola de Medicina de Harvard, recomenda: se não é possível pensar em nada, pense em quase nada, sem a preocupação de encontrar sentido ou fazer associações. Em resumo, deixe que os pensamentos “passem”, sem tentar controlá-los. Uma forma de conseguir é com a “caminhada meditativa”, em círculos, na qual, a cada passo, se pensa apenas no seguinte: “À esquerda, à esquerda, à esquerda, à esquerda...”. Por meio dessa monótona repetição, pode-se distanciar o consciente do incessante diálogo interior, muitas vezes incômodo, e obter maior nível de relaxamento mental.

O efeito positivo dessa prática para o corpo é mensurável na redução de problemas cardíacos associados ao estresse, pressão alta, dores crônicas e distúrbios de sono. Em alguns casos, esses males desaparecem completamente. O relaxamento também é possível sem a caminhada. Quer tentar? Sente-se tranquilamente em uma cadeira e murmure de forma inaudível um “mantra”, se possível, sem significado – por exemplo, “iamon”. Após alguns minutos, o seu diálogo interno para. Com o treino, isso ocorre mais rapidamente.O efeito também pode ser cientificamente conferido: o eletroencefalograma (EEG) mostra que as correntes cerebrais se tornam mais lentas, o cérebro funciona no chamado ritmo alfa (uma forma de relaxamento semelhante às fases de sono profundo).

Em alguns casos, a pessoa não sente mais o corpo. Esses são momentos raros, nos quais a porta para o subconsciente se abre. Boris Becker fazia exatamente assim: na noite anterior a um jogo importante, ele se isolava em seu quarto de hotel, colocava- se nesse estado de relaxamento e sonhava com seu sucesso nos momentos decisivos do jogo. Em pensamento, se via fazendo uma ótima jogada, enquanto seu opositor ficava indefeso na base. Quando adormecia com essa imagem na cabeça, seu subconsciente continuava trabalhando incessantemente e ancorava a imagem desejada como algo já atingido – como “verdadeira”.

No dia seguinte, quando a situação antecipadamente sonhada se tornava realidade, Boris Becker já havia vencido internamente. Considerando a certeza da vitória, já não restava espaço para a hesitação durante o saque, e não havia dúvida de que ele seria capaz de fazer as melhores jogadas. Tudo ocorria de forma mais ou menos automática. E o mais importante: ele não levaria em conta um possível erro.

Obviamente não adianta sonhar que o adversário erra, já que se trata de interferir na realidade interna, subjetiva, mandando mensagens para o próprio cérebro. Só podemos fazer isso conosco, nunca com os outros. Quando você também quiser afastar hesitações que podem enfraquecê-lo em momentos decisivos (ao apresentar um trabalho, submeter-se a uma entrevista de emprego, participar de uma reunião importante ou conversar com alguém querido sobre tema difícil), pode realizar um exercício duas vezes por dia, durante dez minutos, com intervalo de algumas horas entre eles. Assim que estiver totalmente relaxado e conseguir calar seu diálogo interior, visualize os seus objetivos pessoais em imagens o mais marcantes possível, dizendo a si mesmo que o objetivo já foi atingido. E, então, deixe que seu cérebro faça o resto.

edição 208 - Maio 2010 - Revista Mente E Cérebro - A revista que junta as partes
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http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/-ganhar_e_perder_entre_as_orelhas-.html

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A diversidade e suas maravilhas !

Parece-me que a necessidade de competir com o outro, de certa forma está relacionada com a dificuldade em compreender a diversidade humana tanto em seus aspectos amplos quanto profundos.

O mesmo ocorre quando ao notar uma diferença no comportamento alheio, tentamos 'enquadrá-lo' no nosso modo de ver e sentir, como sendo o melhor, ou mais coerente.

Veja, sempre que nos comparamos a outrem, surge de forma consciente ou não, um impulso de equiparação, o que é um equivoco, partindo do princípio que somos todos diferentes e que a competição tem como base a comparação, para então se classificar 'o melhor', 'o mediano' e 'o pior'.

É claro que possúimos muitos aspectos em comum, principalmente os relacionados aos aspectos sociais como cultura, etnia, educação, etc.

Porém, em se tratando de nossas potencialidades e debilidades, somos individualmente um universo de infinitas possibilidades.

A diversidade é uma das maravilhas da vida! É justamente nossa diversidade que nos une, pois se cada um fosse completo em sí, não precisaria do outro.

Sendo assim, cabe-nos aqui uma proposição: que tal tomarmos uma nova postura frente as diferenças? Ao invés de competirmos uns contra os outros, ou de nos incomodar com aquilo que nos parece estranho, vamos enchergar no outro novas possibilidades ! Novas possibilidades no pensar, no sentir, no falar, no agir !

Quem sabe assim poderemos aprender com o exemplo do outro e não necessariamente com os próprios erros.

Beijos,
Pri.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Caminhos e Escolhas

Queridos amigos,

É interessante notar e analisar os caminhos que percorremos ao longo da vida.

Muitas vezes somos levados a pensar que fomos vítimas das circunstâncias, e isso traz um certo conforto e por que não dizer, alívio da consciência.. afinal se somos as vítimas, não temos responsabilidade sobre as consequências não é mesmo ?

Ledo engano !

É fato que tudo o que vivemos hoje é tão somente as consequências de nossas escolhas de ontem. E pensar isso, traz um certo desespero, afinal, isso nos faz plenamente responsáveis por nossas conquistas e nossas perdas futuras ! Não poderemos mais culpar o governo, aos pais, a sociedade, a falta de emprego, a falta de dinheiro, a falta de saúde, os filhos, a esposa, o marido, etc.

Não teremos mais o outro para colocar a culpa a não ser o próprio espelho. E isso é assustador !

Mas o maior desafio não está em enfrentar essa verdade, mas em como lidar com ela ! Pois facilmente constatamos que não sabemos escolher, não sabemos sequer o que de fato queremos ! E não sabemos analisar as consequências de nossas escolhas.

Ficamos tão presos no óbvio, na opinião dos outros, no aparentemente lógico, e deixamos de exercitar "o olhar", tanto o olhar interno quanto o externo, ou seja, a capacidade de ver mais adiante e a capacidade de sentir nossos anseios e vontades puras.

Essa limitação nos fez incapazes de compreender a infinidade de possibilidades do cósmico, nos tornou medrosos e com isso uma enorme dificuldade em assumir riscos, confiar em sua intuição. O medo impede nosso aprendizado, pois aprendemos tanto com o sucesso quanto com o fracasso.

Mas, não podemos fracassar não é mesmo ? Isso é algo deplorável e inaceitável em nossa sociedade moderna, algo vergonhoso e digno de pena ! Com isso, nos tornamos reféns do medo de errar, medo de fracassar.

Ora, isso é um absurdo, para não dizer uma blasfêmia ! Como assim não se pode errar ou fracassar, se isso nada mais é do que parte do nosso crescimento ! Ter esse medo é duvidar da Prosperidade de Deus ! É pensar muito pequeno e achar que só se vive uma única vez.

Com o tempo, acertando e principalmente errando, aprendemos a determinar melhor nossas escolhas, a analisar melhor suas consequências, e nos tornamos cada vez mais donos de nossas vidas !

É necessário sim, sermos cada vez mais conscientes de nossas escolhas, trilharmos nosso caminho cientes das consequências, e isso nos tornará mais fortes e preparados.

Também é válido dizer que agir sem medir essas consequências apenas para provar a si mesmo que não tem medo de errar é tão leviano quanto não agir de forma alguma. Afinal os dois extremos é na verdade uma forma de prisão.

De um lado o medo e de outro a inconsequência... ambos impedem o crescimento e são funestas ao ser humano.

Aprendar a analisar as próprias escolhas é um exercício diário e constante, assim como assumir riscos, comemorar os acertos e saber olhar de frente para os erros.

É por esse aprendizado que muitos dizem, que vale mais a pena a caminhada do que a chegada !

Desejo a todos muita Luz para realizar suas escolhas, desde as mais banais até as mais imporantes da vida !

E.. boa caminhada ! !

Pri.